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8 de jul. de 2020

Você já se sentiu um impostor?

Não acredita nos outros quando dizem que vc é bom em algo? Assista a este vídeo!

Amooo o canal Minutos Psíquicos!!! Poucas pessoas sabem que tenho TAG, depressão e pânico. Muitos vídeos deste canal me ajudaram a compreender alguns sentimentos e como manter o controle. Lógico, nada substitui um bom médico psiquiatra e terapia, mas estes vídeos me ajudaram bastante no processo de melhora em geral.

Boa semana a todos! :D

5 de nov. de 2018

Vídeo: Campanha contra o AVC - Hospital Santa Lúcia

Uma música bonitinha e de utilidade pública! 😊

A criança e a Arte

Vemos todos os dias um número considerável de crianças nascendo neste planeta. São filhos do acaso? Simples rebentos sem nenhum projeto de vida?

Observando cada um deles, percebemos que trazem uma bagagem de conhecimentos das mais diversas áreas. Precisamos sondá-los para descobrir seus talentos.

Certamente estão chegando ao mundo para melhorarem-se e fazerem melhorar, ou seja: para aprender e ensinar.

No campo da arte em suas diferentes manifestações: mímica, dança, música, artes plásticas entre inúmeras outras tendências, os vemos desde tenra idade, demostrarem habilidades ainda latentes, adormecidas por não as terem ainda desenvolvido.

Ofereça à criança lápis e papel e veja do que ela é capaz. Não julguemos a beleza da obra, mas seu significado é surpreendente. Dê à ela oportunidade de sentir sons, apresente à ela instrumentos musicais, imediatamente ela se identifica com esta fonte de energia e logo se envolve. Ela dança, ela pula, ela canta e observe que há harmonia na composição dos seus movimentos, da sua dinâmica em produzir sons e acompanhar o ritmo. Ela cria, ela faz.

E nós, o que estamos fazendo para ajudá-la? Precisamos expô-la à presença de instrumentos musicais, de sons e boa música.

Qual será a boa música? Lenta, agitada? Não importa, ela fará sua escolha.

O importante é a qualidade da sua letra.

A letra, por simples que seja deve trazer uma mensagem que eleva, com ensinamentos, com alegria, que instrui e traz bons momentos.

Permitamos que desde cedo ela seja apresentada às artes, favorecendo um convívio sadio. Sejamos exemplos, pois sabemos que ela nos têm como espelho e nos imita. Vamos dar à ela fonte segura para se desenvolver, para fazer boas escolhas e encontrar seu real talento.


Autora: Celia Terni Lucchini

20 de set. de 2018

Sequilho com goiabada


"Criei o costume de toda semana comprar sequilho com goiabada na padaria perto daqui de casa. Comê-lo bebendo um café sem açúcar tornou-se, sem exagero, um dos momentos mais deliciosos da semana. Mas a goiabada me incomodava. Não necessariamente ela, mas sua pouca quantidade. Era um pingo no meio do sequilho.

Reclamei na padaria, chamei o padeiro de usura e tudo mais.

Outro dia, voltando do trabalho, passei pela padaria e, pra minha sorte, disseram que havia um sequilho especial pra mim. Lá estava o meu sonho num sequilho de um real. Quase que completamente coberto de goiabada.

Chegando em casa, preparado o café e toda a ritualística necessária para consumir o apetecível sequilho, ocorreu que não comi nem a metade. Enjoei na segunda mordida. Doce demais, chegava a dar náuseas.

Dia seguinte, cheguei na padaria e lá estava: outro sequilho coberto de goiabada. Me ofereceram e, por vergonha de dizer que odiei o do dia anterior, comprei. Em casa, raspei toda a goiabada e comi.

O proble, o inferno, não era a goiabada nem o padeiro, era eu. Fui eu quem, amando o que amava, queria do meu jeito, sem entender que eu gostava do jeito que era, porque se do meu jeito fosse, eu rejeitaria, enjoaria e até tentaria fazê-lo voltar a ser como era.

Assim fazemos com as pessoas também. No início as amamos como são, depois que estão conosco começamos a criticar, tentamos mudá-las, tentamos "colocar do nosso jeito", sem saber que nosso jeito são nossas projeções, pessoas que não existem, e que se existissem, enjoaríamos delas.

Transformamos para descartar, porque quando aquela pessoa muda, muito provavelmente quem gostávamos não está mais lá.

Esta semana voltei à padaria, pedi o sequilho sem goiabada e mandei avisar ao padeiro que a receita original dele é que era boa e não a minha versão."

(Autor desconhecido - Texto recebido via WhatsApp)
Fonte da imagem: https://br.pinterest.com/pin/467811480022143464

16 de fev. de 2018

Você é Hands On?

Vi um anúncio de emprego. A vaga era de Gestor de Atendimento Interno, nome que agora se dá à Seção de Serviços Gerais. E a empresa exigia que os interessados possuíssem - sem contar a formação superior - liderança, criatividade, energia, ambição, conhecimentos de informática, fluência em inglês e não bastasse tudo isso, ainda fossem hands on. Para o felizardo que conseguisse convencer o entrevistador de que possuía essa variada gama de habilidades, o salário era um assombro: 800 reais. Ou seja, um pitico.

Não que esse fosse algum exemplo fora da realidade. Ao contrário, é quase o paradigma dos anúncios de emprego. A abundância de candidatos permite que as empresas levantem cada vez mais a altura da barra que o postulante terá de saltar para ser admitido. E muitos, de fato, saltam. E se empolgam. E aí vêm as agruras da super-qualificação, que é uma espécie do lado avesso do efeito pitico...

Vamos supor que, após uma duríssima competição com outros candidatos tão bem preparados quanto ela, a Fabiana conseguisse ser admitida como gestora de atendimento interno.. E um de seus primeiros clientes fosse o seu Borges, Gerente da Contabilidade.

Seu Borges: - Fabiana, eu quero três cópias deste relatório.
Fabiana: - In a hurry!
Seu Borges: - Saúde.
Fabiana: - Não, Seu Borges, isso quer dizer "bem rapidinho". É que eu tenho fluência em inglês. Aliás, desculpe perguntar, mas por que a empresa exige fluência em inglês se aqui só se fala português?
Seu Borges: - E eu sei lá? Dá para você tirar logo as cópias?
Fabiana: - O senhor não prefere que eu digitalize o relatório? Porque eu tenho profundos conhecimentos de informática.
Seu Borges: - Não, não.. Cópias normais mesmo.
Fabiana: - Certo. Mas eu não poderia deixar de mencionar minha criatividade. Eu já comecei a desenvolver um projeto pessoal visando eliminar 30% das cópias que tiramos.
Seu Borges: - Fabiana, desse jeito não vai Dar!
Fabiana: - E eu não sei? Preciso urgentemente de uma auxiliar.
Seu Borges: - Como assim?
Fabiana: - É que eu sou líder, e não tenho ninguém para liderar. E considero isso um desperdício do meu potencial energético.
Seu Borges: - Olha, neste momento, eu só preciso das três cópias.
Fabiana: - Com certeza. Mas antes vamos discutir meu futuro...
Seu Borges: - Futuro? Que futuro?
Fabiana: - É que eu sou ambiciosa. Já faz dois dias que eu estou aqui e ainda não aconteceu nada.
Seu Borges: - Fabiana, eu estou aqui há 18 anos e também não me aconteceu nada!
Fabiana: - Sei. Mas o senhor é hands on?
Seu Borges: - Hã?
Fabiana: - Hands on....Mão na massa.
Seu Borges: - Claro que sou!
Fabiana: - Então o senhor mesmo tira as cópias. E agora com licença que eu vou sair por aí explorando minhas potencialidades. Foi o que me prometeram quando eu fui contratada.

Então, o mercado de trabalho está ficando dividido em duas facções:
- Uma, cada vez maior, é a dos que não conseguem boas vagas porque não têm as qualificações requeridas.
- E o outro grupo, pequeno, mas crescente, é o dos que são admitidos porque possuem todas as competências exigidas nos anúncios, mas não poderão usar nem metade delas, porque, no fundo, a função não precisava delas.

Alguém ponderará - com justa razão - que a empresa está de olho no longo prazo: sendo portador de tantos talentos, o funcionário poderá ir sendo preparado para assumir responsabilidades cada vez maiores.

Em uma empresa em que trabalhei, nós caímos nessa armadilha. Admitimos um montão de gente super qualificada. E as conversas ficaram de tão alto nível que um visitante desavisado confundiria nossa salinha do café com a Fundação Alfred Nobel.

Pessoas super qualificadas não resolvem simples problemas!

Um dia um grupo de marketing e finanças foi visitar uma de nossas fábricas e no meio da estrada, a van da empresa pifou. Como isso foi antes do advento do milagre do celular, o jeito era confiar no especialista, o Cleto, motorista da van. E aí todos descobriram que o Cleto falava inglês, tinha informática, energia, criatividade e estava fazendo pós-graduação... ... só que não sabia nem abrir o capô. Duas horas depois, quando o pessoal ainda estava tentando destrinchar o manual do proprietário, passou um sujeito de bicicleta. Para horror de todos, ele falava "nóis vai" e coisas do gênero. Mas, em 2 minutos, para espanto geral, botou a van para funcionar. Deram-lhe uns trocados e ele foi embora feliz da vida.

Aquele ciclista anônimo era o protótipo do funcionário para quem as Empresas modernas torcem o nariz:

O QUE É CAPAZ DE RESOLVER, MAS NÃO DE IMPRESSIONAR.

As Empresas e seus Gestores precisam decidir que tipo de profissional elas necessitam: Aqueles que Resolvem os problemas ou aqueles que impressionam e não resolvem nada.

O interessante é conciliar estes dois profissionais em um só, portanto valorizem as pessoas que trabalham com você ou para você, criem possibilidades, oportunidades e desafios que condizem com elas, o mercado do trabalho agradece.

Autor: Max Gehringer

9 de fev. de 2018

Por que cantar o Hino Nacional na escola?

Em 1936, o governo Getúlio Vargas determinou pela primeira vez a obrigatoriedade da execução do Hino Nacional nas escolas públicas e privadas de todo o país. Em 1971, durante o regime militar, passou a vigorar lei que trata dos símbolos nacionais, também obrigando à execução do hino nas escolas durante o hasteamento da bandeira, mas ela não definia a frequência com que ele deveria ser cantado pelos alunos. Com a sanção presidencial, em 22 de setembro de 2009, é acrescido à lei 5700/71 um parágrafo obrigando que ocorra uma vez por semana.

Os objetivos: Que os alunos conheçam a letra e cantem a música do Hino Nacional Brasileiro e do município onde estudam, compreendendo o que estão recitando e sabendo a significação da letra em si; Valorizem o Hino Nacional e a Bandeira Nacional, e o Hino da cidade e sua Bandeira; Desenvolvam o senso de patriotismo; Ampliem seu repertório; Vivenciem momentos de respeito e amor à pátria; Aprendam a postura adequada no momento de execução do Hino Nacional; Saibam se comportar e cantar nos eventos da escola ou de qualquer outro local; Conheçam a história da fundação da cidade.

Ações como essa contribuem na formação de cidadãos e críticos para viverem em sociedade.


CURIOSIDADES

A composição musical do maestro Francisco Manoel da Silva, criada em 1831, foi considerada como "Hino Nacional", em 1890. Porém, por 32 anos ele era cantado com letras diferentes e inadequadas. Somente às vésperas do primeiro centenário da independência do País, em 6 de setembro de 1922, um decreto oficializou a letra definitiva do Hino, escrita em 1909 por Joaquim Osório Duque-Estrada.

O Hino Nacional Brasileiro não tem um nome, como em alguns países, pois a letra foi composta depois da Proclamação da República já com o objetivo de servir de Hino Nacional.

Durante o Hino, todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio, segundo o capítulo 5º da Lei 5.700, de 1º de setembro de 1971. Os civis do sexo masculino com a cabeça descoberta e os militares em continência, segundo os regulamentos das respectivas corporações.

Em caso de execução simplesmente instrumental, não se deve cantar. É vedada qualquer outra forma de saudação.

Se você pretende lançar no YouTube sua própria versão para o Hino Nacional, melhor esquecer. A Constituição Federal proíbe a execução de qualquer arranjo artístico instrumental ou vocal do Hino, a menos que autorizado pela Presidência da República. "É obrigatória a tonalidade de si bemol para a execução instrumental simples do Hino Nacional", diz ainda o texto.

Para mais, acesse: Brasil Escola: Momento Cívico Obrigatório

24 de nov. de 2017

Nick Vujicic - Uma lição de vida

Apenas assista.. :)


Nick Vujicic é evangelista, palestrante motivacional e diretor da Life Without Limbs. Ele dá palestras regularmente sobre vários assuntos tais como a deficiência, a esperança e o sentido da vida.

Este vídeo foi passado para os alunos do 5º ano.

Vídeo: Alimentação saudável

Outro vídeo que passei para os alunos do Infantil.

22 de nov. de 2017

O que fazer se uma rede elétrica cair em cima do carro?

(Tinha um vídeo com dois exemplos aqui, mas apagaram)

Se fio cair sobre carro, não desça, recomendam especialistas

Se for surpreendido por uma forte chuva enquanto estiver dirigindo, o ideal é procurar se abrigar em garagens e sob viadutos, por exemplo, ou ficar dentro do carro, caso tenha de permanecer na rua, recomendam especialistas.

O engenheiro Francisco Satkunas, conselheiro da SAE Brasil, alerta que, no caso de um cabo de energia se soltar e atingir um veículo, há pouco risco para quem estiver dentro dele, mas, se tentar sair do carro e colocar o pé no chão, ela poderá receber a descarga elétrica. "Assim, não saia do carro enquanto alguém, um bombeiro, não tirar o fio de cima dele. Ou, se estive fora do carro, não toque nele, não tente entrar".

Carro é 'gaiola'

O professor do Instituto de Física da USP, Antonio Martins Figueiredo Neto, explica que o carro, por sua estrutura de aço, funciona como uma "gaiola metálica", em relação ao cabo de energia, mantendo essa energia em seu exterior, isolando quem está dentro do veículo. "Não há corrente elétrica", afirma.

"A (corrente) só passa a existir se tiver um diferencial, que é o caso de a pessoa pisar no chão, porque a terra está a um potencial diferente do carro e, assim, fecha o circuito, gerando a descarga elétrica", esclarece o professor.

Não toque em partes metálicas

No entanto, não há risco zero para quem está em um carro atingido por um cabo de energia, adverte o professor. "Pode ocorrer de uma corrente elétrica passar pelo carro se os pneus entrarem em contato com água com sal (íons) ou metais", diz. Por isso, a recomendação é, mesmo dentro do carro, não tocar em nenhuma parte metálica do veículo.

Raios

Da mesma forma que isola o interior do veículo da energia do cabo rompido, o carro também o protege dos raios. "A energia se distribui pelo carro porque a resistência elétrica é o metal é menor que a do corpo humano", explica Figueiredo Neto, da USP.

Retirado de: Se fio cair sobre carro, não desça, recomendam especialistas

12 de nov. de 2017

Poema: O Pequeno Príncipe Preto


Marcelo Serralva é músico (cantor, instrumentista e compositor), professor de musicalização infantil e desenhista nas horas vagas. Possui uma página no face atualizada com frequência e um canal no YouTube com diversos vídeos musicais, atividades e histórias.

Música: África - Palavra Cantada

Breve história da cultura africana

"Um apanhado maravilhoso sobre a cultura africana de um modo geral. Religião, costumes, ritmos, paladar, linguagem... um breve histórico expositivo de tudo."

Livro animado: O filho do vento

Outro livro que a professora do 3º ano trabalhou este ano foi este: O filho do vento, escrito por Rogério Andrade Barbosa e ilustrado por Graça Lima.

Livro animado: Bruna e a Galinha d'Angola

Neste ano, a professora do 3º ano da escola que trabalho, fez várias atividades com seus alunos tendo este livro como inspiração.

Livro animado: Menina bonita do laço de fita

"Menina Bonita do Laço de Fita" é uma animação adaptada da obra de Ana Maria Machado. A produção é da Oger Sepol Produções e a direção de Diego Lopes e Claudio Bitencourt.

Conto: Pixaim

Por Cristiane Sobral

Rio de Janeiro. Qualquer dia da semana num tempo que passa morno, sem novidades. Num bairro distante no subúrbio da zona oeste, uma criança negra de dez anos e pequenos olhos castanho-escuros meio embaçados pelo horizonte sem perspectivas é acusada injustamente. Em meio ao espanto, descobre que existem pessoas descontentes com a sua maneira de ser e decide lutar para manter intactas as suas raízes.

Os ataques começaram quando fui apresentada a uns pentes estranhos, incrivelmente frágeis, de dentes finos, logo quebrados entre as minhas madeixas acinzentadas. Pela primeira vez ouço a expressão cabelo “ruim”. Depois uma vizinha disse a minha mãe, que todos os dias lutava para me pentear e me deixar bonitinha como as outras crianças, que tinha uma solução para amolecer a minha carapinha “dura”.

Pela primeira vez foram violentadas as minhas raízes, senti muita dor, e fiquei frágil, mas adquiri também uma estranha capacidade de regeneração e de ter idéias próprias. Eu sabia que não era igual às outras crianças. E que não podia ser tratada da mesma forma. Mas como dizer isso aos outros? Minha mãe me amava muito, é verdade, mas não percebia como lidar com as nossas diferenças.

Eu cresci muito rapidamente, e para satisfazer aos padrões estéticos não podia mais usar o cabelo redondinho do jeito que eu mais gostava, pois era só lavar e ele ficava todo fofinho, parecendo algodão. Uma amiga negra que eu tinha costumava amarrar uma toalha na cabeça, e andar pela casa, fingindo que tinha cabelo liso e dizia que o sonho dela era ter nascido branca. Eu achava estranho. Não percebia como alguém poderia ser algo além daquilo que é.

Minha mãe decidiu que o meu pixainho tinha que crescer e aparecer. Lembro do pente quente que se usava na época, para fazer o crespo ficar “bom”, e da marca do pente quente que tatuou meu ombro esquerdo, por resistir àquela imposta transformação. Era domingo, íamos todos a uma festa, e eu tinha que ficar bonita como as outras. No caminho, caiu uma chuva, dessas de verão, e em poucos minutos, houve o milagre, pois a água anulou o efeito do pente. Eu chorava porque achava que o meu cabelo nunca voltaria ao normal, e minha mãe ficou brava porque eu estava parecendo comigo, de um jeito nunca antes visto!

Por um tempo tive paz. Fazia o que bem entendia com meus fios, mas sabia que algo estava sendo preparado. A tal vizinha apareceu lá em casa dizendo que viajaria por uns dias, mas que quando voltasse traria um produto para dar jeito no meu rebelde. Lamentava o fato de que eu não era tão escurinha, mas tinha um bombrilzinho! Dormi com medo. Sonhei com uma família toda pretinha e com uma vó que me fizesse tranças como aquelas que eu vi numa revista, cheias de desenhos na cabeça, coisa que só a minha carapinha permitia fazer...Mas minha mãe não sabia nada dessas coisas...

O henê era um creme preto muito usado pelas negras no subúrbio do Rio de Janeiro, que alisava e tingia os crespos. A propaganda da embalagem mostrava uma foto de uma mulher negra sorridente com as melenas lisas. Só que o efeito do produto não era eterno, logo que crescesse um cabelinho novo, era necessário reaplicar o creme, dormir com bobies, fazer touca, e outras ações destinadas a converter o cabelo “ruim”, em “bom”. O produto era passado na cabeça bem quente e mole, mas quando esfriava endurecia. Uma hora depois, a cabeça era lavada com água fria em abundância até a sua total eliminação.

Jamais esquecerei a minha primeira sessão de tortura. Era um bonito dia de sol e céu azuladíssimo. Eu brincava no quintal distraída quando ouvi o chamado grave de minha mãe, já com a panela quente nas mãos, e pensei com pavor na foto da mulher com cabelo alisado. Nesse momento tive a certeza de que mamãe queria me embranquecer! Era a tentativa de extinção do meu valor! Chorei, tentei fugir e fui capturada e premiada com chibatadas de vara de marmelo nos braços. Fim da tentativa inútil de libertação. Sentei e deixei o henê escorrer pelo pescoço enquanto gelava por dentro, até sentir a lâmina fria da água gelada do tanque de concreto penetrando em meu couro cabeludo. Depois, já era tarde, minha mãe encheu minha cabeça de bobies. Segui inerte. Chorei insone aprisionada pelos bobies amarrados na cabeça, sentindo uma imensa dor e o latejar dos grampos apertados.

Dia seguinte. Minha mãe me chamou inesperadamente carinhosa e me colocou frente ao espelho. Pela primeira vez disse:

- Você está bonita! Pode brincar, mas não pule muito para não transpirar e encolher o cabelinho.

Eu olhei e não acreditei. Já tinha a expressão da mulher da caixa de henê. Chorei pela última vez e jurei que não choraria mais. Porque era tão difícil me aceitar? Dei adeus aquilo que jamais consegui ser, me despedi silenciosamente da menina obediente, e comecei a me transformar.

Os vizinhos ficaram felizes com a confirmação da profecia. Diziam que preto não prestava mesmo. Todo mundo se sentia no direito de me dar uns tapas, para me corrigir, para o meu bem. Eu era tudo de péssimo, ingrata, desgosto da mãe, má, bruxa. Meus irmãos também colaboravam me chamando de feia, bombril, macaca. Era o fim.

Eu já não resistia e comecei a acreditar no que diziam. Todos os dias eram tristes e eu tinha a certeza de que apesar do cabelo circunstancialmente “bom”, eu jamais seria branca. Foi aí que eu tive uma inesperada luz. Minha mãe queria me embranquecer para que eu sobrevivesse a cruel discriminação de ser o tempo todo rejeitada por ser diferente. Percebi subitamente que ela jamais pensara na dificuldade de ter uma criança negra, mesmo tento casado com um homem negro, porque que ela e meu pai tiveram três filhos mestiços que não demonstravam a menor necessidade de serem negros. Eu era a ovelha mais negra, rebelde por excelência, a mais escura e a que tinha o cabelo “pior”. Às vezes eu acreditava mesmo que o meu nome verdadeiro era pixaim.

O negro sempre foi para mim o desconhecido, a fantasia, o desejo. Cresci tentando ser algo que eu não conhecia, mas que intuitivamente sabia ser meu, só meu. O meu cabelo era a carapaça das minhas idéias, o invólucro dos meus sonhos, a moldura dos meus pensamentos mais coloridos. Foi a partir do meu pixaim percebi todo um conjunto de posturas que apontavam para a necessidade que a sociedade tinha de me enquadrar num padrão de beleza, de pensamento e opção de vida.

Quinze anos depois, em Brasília, no coração do planalto central, é segunda-feira, dia de começos. Uma mulher madura de olhar doce e fértil vê sua imagem no espelho e ajeita com cuidado as tranças corridas, contemplando com satisfação a história escrita em seu rosto e a beleza que os pensamentos dignos conferem à sua expressão. É uma mulher livre, vencedora de muitas batalhas interiores, que se prepara para a vida lutando para preservar a sua origem, pois sabe que é a única herança verdadeira que possui. Ela aprendeu e jamais esquecerá. A gente só pode ser aquilo que é.

Cristiane Sobral (Rio de Janeiro, 1974) é uma atriz, escritora e poeta brasileira. Estudou teatro no SESC do Rio de Janeiro, em 1989. Foi a primeira atriz negra graduada em Interpretação Teatral pela Universidade de Brasília. Atuou em diversos espetáculos teatrais. Estreou na literatura em 2000, publicando textos nos Cadernos Negros. Foi crítica teatral da revista Tablado, de Brasília. Mestre em Artes (UnB) com pesquisa sobre as estéticas nos teatros negros brasileiros. Membro do Sindicato dos Escritores do DF. (WIKIPÉDIA)

10 de nov. de 2017

Vídeo: Evite o abuso

Estamos passando este vídeo para os alunos do 3º ao 5º ano e depois fazendo uma roda de conversa para que fiquem atentos a qualquer sinal de abuso, que pode acontecer quando ou com quem menos esperamos. Se quiser baixar, acesse este link e clique na setinha do canto superior direito.

8 de nov. de 2017

Cartilha: O Estatuto da Criança e do Adolescente

Quando criança, recebi esta cartilha na escola. Explica o estatuto de maneira bem simples.
Se quiser baixar ou imprimir, clique aqui para abrir o arquivo em pdf.